Questões Comentadas 13 min de leitura

Desvendando Contabilidade Geral e Societária: Questões Comentadas FGV para Concursos

· Equipe Concursa+

Domine a Contabilidade Geral e Societária: Estratégias e Questões Comentadas FGV

A Contabilidade Geral e Societária é uma das disciplinas mais desafiadoras e, ao mesmo tempo, decisivas nos concursos públicos. Sua complexidade exige não apenas o domínio de conceitos, mas também a capacidade de interpretá-los sob a ótica das normas contábeis brasileiras e internacionais (IFRS), adaptadas e publicadas pelos Comitês de Pronunciamentos Contábeis (CPCs). Bancas como a FGV são mestres em elaborar questões que testam não só seu conhecimento, mas sua atenção aos detalhes e sua habilidade analítica.

Para te ajudar a desmistificar essa matéria e impulsionar sua preparação para os concursos de 2026, compilamos e comentamos questões estratégicas da FGV. Abordaremos temas cruciais como ativo imobilizado, Demonstração do Resultado Abrangente (DRA), reconhecimento de receitas, e ativos intangíveis, além da impactante Lei nº 11.941/2009. Mergulhe em cada questão, entenda o raciocínio por trás da resposta correta e aprenda a identificar as armadilhas comuns que podem custar sua vaga.

Questão Comentada 1: Avaliação do Ativo Imobilizado (CPC 27)

(Banca: FGV – Matéria: Contabilidade Geral e Societária)

Avaliando o ativo imobilizado: Segundo o CPC 27, que trata da Contabilidade de Ativo Imobilizado, qual fator é essencial considerar para sua correta mensuração e apresentação contábil, refletindo sua perda de valor ao longo do tempo?

Raciocínio Detalhado:

O CPC 27 é o pronunciamento que estabelece o tratamento contábil para os ativos imobilizados. Ele determina que um ativo imobilizado deve ser reconhecido inicialmente pelo custo. Contudo, para sua mensuração subsequente e apresentação no balanço patrimonial, é mandatório que se considere a depreciação acumulada.

A depreciação é o processo de alocação sistemática do valor depreciável de um ativo ao longo de sua vida útil estimada. Ou seja, a cada período, uma parcela do custo do ativo é reconhecida como despesa de depreciação, refletindo o consumo ou a perda de utilidade econômica do bem. A acumulação dessas parcelas ao longo do tempo forma a depreciação acumulada, que é apresentada como uma conta retificadora do ativo imobilizado no balanço.

Ignorar a depreciação seria apresentar o ativo por um valor que não reflete sua realidade econômica atual, violando o princípio contábil da prudência e a fidedignidade da informação. Portanto, a depreciação acumulada é um aspecto inegociável na avaliação de um ativo imobilizado conforme o CPC 27.

Dica de Estudo para Ativo Imobilizado:

  • Revise os conceitos de custo histórico, valor justo, vida útil, valor residual e, principalmente, os métodos de depreciação (linear, soma dos dígitos, unidades produzidas). A FGV adora questões que exigem o cálculo prático da depreciação ou a identificação do método mais adequado a uma situação.
  • Compreenda a diferença entre depreciação (para ativos tangíveis), amortização (para ativos intangíveis) e exaustão (para recursos naturais).

Armadilha da Banca na Avaliação do Ativo Imobilizado:

A FGV pode tentar te confundir ao apresentar alternativas que misturam conceitos de avaliação inicial com os de mensuração subsequente, ou que sugerem a não aplicação da depreciação em cenários específicos, como ativos totalmente depreciados mas ainda em uso (eles continuam no balanço, mas sem valor contábil líquido). Fique atento à terminologia exata do CPC 27.

Questão Comentada 2: Demonstração do Resultado Abrangente (CPC 26 (R1))

(Banca: FGV – Matéria: Contabilidade Geral e Societária)

Conforme o CPC 26 (R1), que regulamenta a apresentação das demonstrações contábeis, qual elemento essencial para a compreensão do desempenho total de uma entidade deve ser apresentado na Demonstração do Resultado Abrangente (DRA), complementando o lucro líquido do período?

Raciocínio Detalhado:

A Demonstração do Resultado Abrangente (DRA) é uma peça fundamental para uma visão completa do desempenho financeiro de uma entidade. De acordo com o CPC 26 (R1) – Apresentação das Demonstrações Contábeis, a DRA expande a Demonstração do Resultado do Exercício (DRE) ao incluir, além do lucro ou prejuízo líquido do período (resultado já apurado na DRE), os chamados Outros Resultados Abrangentes (ORA ou OCI – Other Comprehensive Income).

Os ORA são itens de receita e despesa que, embora afetem o patrimônio líquido da empresa, não são reconhecidos diretamente na DRE, sendo transitoriamente registrados em contas de patrimônio líquido até que sejam realizados ou reclassificados para a DRE em períodos futuros. Exemplos clássicos de ORA incluem:

  • Variações na reavaliação de ativos imobilizados e intangíveis (quando permitida).
  • Ganhos e perdas atuariais de planos de pensão.
  • Ganhos e perdas decorrentes da conversão de demonstrações contábeis de operações no exterior.
  • Mudanças no valor justo de instrumentos financeiros designados para Mensuração ao Valor Justo por Meio de Outros Resultados Abrangentes (MVJORA).

Portanto, a DRA é composta pelo lucro ou prejuízo líquido do período, somado aos Outros Resultados Abrangentes, formando o Resultado Abrangente Total do Período. É a apresentação desses ORA que torna a DRA um complemento essencial à DRE, oferecendo uma perspectiva mais ampla sobre as mudanças no patrimônio líquido da entidade.

Dica de Estudo para Demonstração do Resultado Abrangente:

  • Entenda a distinção clara entre DRE e DRA. A DRE mostra o resultado operacional e não operacional que culmina no lucro líquido. A DRA pega esse lucro líquido e adiciona os ORA.
  • Memorize os principais exemplos de Outros Resultados Abrangentes, pois a banca frequentemente testa o conhecimento sobre quais itens compõem essa categoria.

Armadilha da Banca na DRA:

A FGV pode tentar te confundir com itens que são parte da DRE (como receitas operacionais, despesas financeiras ou, indiretamente, o resultado não operacional) e sugerir que eles são exclusivos da DRA. Lembre-se: o que é distinto na DRA são os ORA; o lucro líquido da DRE é o ponto de partida.

Questão Comentada 3: Reconhecimento de Receitas (CPC 47)

(Banca: FGV – Matéria: Contabilidade Geral e Societária)

De acordo com o CPC 47 – Receita de Contratos com Clientes, qual o critério fundamental para o reconhecimento da receita por uma entidade, assegurando que ela reflita a transferência de controle de bens ou serviços para o cliente?

Raciocínio Detalhado:

O CPC 47 é um dos pronunciamentos mais relevantes e abrangentes para o reconhecimento de receitas. Ele estabelece um modelo de cinco passos que as entidades devem seguir para contabilizar a receita proveniente de contratos com clientes. O passo fundamental, que serve como o principal gatilho para o reconhecimento da receita, é a satisfação da obrigação de desempenho.

Uma obrigação de desempenho é satisfeita quando a entidade transfere o controle de um bem ou serviço prometido para o cliente. A transferência de controle significa que o cliente tem a capacidade de direcionar o uso do ativo e obter substancialmente todos os benefícios remanescentes dele. Isso pode ocorrer em um momento específico (por exemplo, na entrega de um produto) ou ao longo do tempo (por exemplo, na prestação de um serviço contínuo).

O CPC 47 busca garantir que a receita seja reconhecida de uma forma que represente a transferência dos bens ou serviços prometidos ao cliente em um valor que reflita a contraprestação à qual a entidade espera ter direito em troca desses bens ou serviços.

Dica de Estudo para Reconhecimento de Receitas:

  • Domine os cinco passos do modelo de reconhecimento de receita do CPC 47: 1) Identificar o contrato com o cliente; 2) Identificar as obrigações de desempenho no contrato; 3) Determinar o preço da transação; 4) Alocar o preço da transação às obrigações de desempenho; 5) Reconhecer a receita quando (ou à medida que) a entidade satisfaz uma obrigação de desempenho.
  • Foque no conceito de "transferência de controle" e como ele se aplica em diferentes cenários, sendo este o cerne da satisfação da obrigação de desempenho.

Armadilha da Banca no CPC 47:

A FGV adora criar cenários complexos que envolvem o tempo de reconhecimento da receita, como contratos de longo prazo, vendas com direito de devolução ou contratos com componentes de financiamento. A principal armadilha é confundir o momento do faturamento ou do recebimento do pagamento com o momento em que a obrigação de desempenho é efetivamente satisfeita e o controle transferido.

Questão Comentada 4: Lei nº 11.941/2009 e o Valor Justo

(Banca: FGV – Matéria: Contabilidade Geral e Societária)

A Lei nº 11.941/2009 marcou um divisor de águas na contabilidade brasileira, trazendo significativas alterações à legislação societária. Um de seus pilares foi a introdução mais robusta e a valorização do conceito de valor justo na mensuração de ativos e passivos. Qual era o principal objetivo dessa alteração legislativa?

Raciocínio Detalhado:

A Lei nº 11.941/2009, juntamente com a Lei nº 11.638/2007, representou um marco histórico na contabilidade brasileira, promovendo a convergência das normas contábeis nacionais aos padrões internacionais de contabilidade (IFRS – International Financial Reporting Standards). Antes dessas leis, a contabilidade brasileira era fortemente influenciada pela legislação fiscal, o que resultava em demonstrações contábeis que nem sempre refletiam a verdadeira situação econômica e financeira das empresas.

O principal objetivo da Lei nº 11.941/2009, ao dar ênfase ao conceito de valor justo, foi justamente mitigar essa distância entre a contabilidade e a realidade econômica dos negócios. Ao permitir (e, em alguns casos, exigir) a mensuração de certos ativos e passivos pelo valor justo – ou seja, o preço que seria recebido pela venda de um ativo ou pago pela transferência de um passivo em uma transação não forçada entre participantes do mercado na data da mensuração – as demonstrações contábeis passaram a oferecer uma representação mais fiel e relevante do patrimônio e desempenho das empresas.

Essa mudança visava aumentar a transparência e a comparabilidade das informações contábeis, tanto no âmbito nacional quanto internacional, facilitando a decisão de investidores e demais usuários da informação contábil.

Dica de Estudo sobre a Lei nº 11.941/2009:

  • Compreenda o contexto histórico e a motivação por trás da Lei nº 11.638/2007 e da Lei nº 11.941/2009. Elas foram a base para a adoção dos CPCs no Brasil e a harmonização com as IFRS.
  • Estude o conceito de valor justo (CPC 46) e as diversas situações em que ele é aplicado, bem como suas limitações e hierarquia de mensuração.

Armadilha da Banca na Lei 11.941/2009:

A FGV pode tentar confundir o candidato ao apresentar objetivos secundários ou consequências da lei como sendo seu principal propósito. Fique atento à essência: a busca por uma representação contábil mais próxima da realidade econômica, em detrimento de uma contabilidade predominantemente fiscalista. Também pode citar termos específicos ou menos relevantes para desviar o foco do conceito central de "valor justo" e sua finalidade.

Questão Comentada 5: Características dos Ativos Intangíveis (CPC 04 (R1))

(Banca: FGV – Matéria: Contabilidade Geral e Societária)

De acordo com o CPC 04 (R1), que trata dos Ativos Intangíveis, qual das seguintes características melhor define essa categoria de ativos, distinguindo-os dos ativos tangíveis?

Raciocínio Detalhado:

O CPC 04 (R1) – Ativo Intangível, estabelece os critérios para o reconhecimento e mensuração de ativos que, por sua natureza, não possuem substância física, mas são identificáveis, controláveis pela entidade e geradores de benefícios econômicos futuros. A característica mais distintiva, que os separa claramente dos ativos imobilizados (tangíveis), é a falta de substância física.

Além da ausência de forma corpórea, o CPC 04 (R1) enfatiza outras características essenciais para que um item seja classificado como ativo intangível:

  1. Identificabilidade: O ativo deve ser separável (capaz de ser vendido, transferido, licenciado, alugado ou trocado individualmente) ou resultar de direitos contratuais ou outros direitos legais. É essa identificabilidade que permite o controle do ativo pela entidade.
  2. Controle: A entidade deve ter o poder de obter os benefícios econômicos futuros que fluem do ativo e de restringir o acesso de terceiros a esses benefícios.
  3. Benefícios Econômicos Futuros: Assim como outros ativos, os intangíveis devem ter o potencial de gerar benefícios econômicos futuros para a entidade.

Muitos ativos intangíveis, como patentes, marcas e licenças, derivam de direitos legais e podem ter um prazo de validade definido por lei ou contrato, o que influencia sua amortização e avaliação contábil. Outros, como o goodwill (ágio por expectativa de rentabilidade futura), são considerados intangíveis com vida útil indefinida, e não são amortizados, mas sim submetidos a testes de recuperabilidade.

Dica de Estudo para Ativos Intangíveis:

  • Concentre-se nas três características primordiais para o reconhecimento de um ativo intangível: identificabilidade, controle e benefícios econômicos futuros.
  • Entenda a diferença entre intangíveis com vida útil definida (amortizáveis) e indefinida (submetidos a testes de recuperabilidade/impairment).
  • Compare os critérios de reconhecimento e mensuração do CPC 04 com os do CPC 27 (Ativo Imobilizado) e CPC 46 (Mensuração do Valor Justo).

Armadilha da Banca em Ativos Intangíveis:

A FGV frequentemente testa a capacidade de diferenciar ativos intangíveis gerados internamente (como a marca de uma empresa desenvolvida internamente, que não pode ser reconhecida, a menos que seja adquirida) de ativos intangíveis adquiridos (que podem ser reconhecidos). Além disso, pode confundir o tratamento contábil de gastos com pesquisa (despesa) e desenvolvimento (pode ser capitalizado, se atender a critérios específicos).

Prepare-se com Inteligência para Contabilidade Geral e Societária

A Contabilidade Geral e Societária é um pilar em muitos concursos, e a maestria nessa disciplina pode ser o diferencial para sua aprovação. As questões da FGV, como vimos, exigem não apenas memorização, mas a compreensão profunda dos pronunciamentos contábeis e sua aplicação prática.

A prática contínua com questões comentadas é a melhor forma de fixar o conteúdo, identificar seus pontos fracos e fortalecer sua estratégia de estudo. Utilize a inteligência artificial do Concursa+ para otimizar sua preparação, gerando simulados personalizados e recebendo feedback instantâneo sobre seu desempenho. Com foco e as ferramentas certas, você estará pronto para desvendar qualquer questão e conquistar sua vaga.

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